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Estudo inédito traça o perfil do líder de TI brasileiro

27 ago

Levantamento, batizado de The State of the CIO, aponta que esses profissionais estão mais próximos das áreas de negócio e exercem influência nas organizações

Se a crise afetou a rentabilidade de muitas empresas e levou a um aumento do desemprego no Brasil, a confiança dos líderes de TI no País parece ter sido pouco afetada pelas turbulências internacionais. A constatação faz parte da primeira edição brasileira do estudo The State of the CIO 2009, promovido pela revista CIO, a partir de uma pesquisa com 260 líderes da área de tecnologia da informação de empresas de médio e grande portes. No levantamento, 77% dos entrevistados dizem que estão mais seguros no cargo do que estavam há um ano, quando os problemas na economia mundial tiveram início.

Alguns fatores justificam essa confiança dos executivos. O primeiro deles é a própria importância que a área de TI ganhou nos últimos meses, por conta das possibilidades de, a partir da tecnologia, reduzir custos operacionais e melhorar a produtividade das organizações. Por outro lado, os CIOs que por muito tempo ficaram reclusos ao universo técnico assumem hoje funções cada vez mais estratégicas nas organizações. Prova disso está no fato de que 49% dos profissionais que responderam ao estudo acumulam a responsabilidade pelo departamento de TI com a liderança de outras áreas da organização.

Acesse a cobertura completa do The State of the CIO 2009

Especializado no recrutamento de executivos de TI, Jairo Okret, que atua como sócio da consultoria Korn/Ferry no Brasil, aponta que a crise serviu para aumentar a demanda por algumas competências que já eram esperadas dos CIOs. “Por exemplo, a habilidade de negociação e a capacidade de, a partir das necessidades do negócio, usar a tecnologia de forma criativa”, explica Okret. Em contrapartida, o especialista acredita que esses profissionais enfrentam um ambiente cada vez mais competitivo nas organizações e precisam estar mais capacitados a transitar por todas as áreas.

Em linha com a visão do consultor, o The State of the CIO 2009 aponta que quase 81% dos executivos consultados no estudo possuem algum curso de extensão universitária. Dentro desse grupo, 80% fizeram MBA ou pós-graduação, 18% mestrado e 2% doutorado. “Isso mostra que o líder de TI está se preparando melhor para falar com as áreas de negócio”, cita Okret, ao considerar que o CIO tem sido cada vez mais cobrado por resultados corporativos e isso pode ser uma oportunidade para sair, definitivamente, do ambiente exclusivo de tecnologia.

A líder de TI da Alcoa, Tânia Nossa, representa um dos muitos exemplos de CIOs que, graças à capacitação diferenciada, conseguiram um lugar de destaque na organização. A executiva brasileira, que atua na fabricante de alumínios há 19 anos, acumula a diretoria da área de tecnologia da informação com a função de gerente-geral da divisão de Global Services Business para América Latina e Caribe. Formada em processamento de dados e em administração de empresas, Tânia conta que a soma do MBA em marketing com a experiência internacional – ela atuou durante um ano nos EUA como gerente global do portal da companhia – foram fundamentais para que a empresa a enxergasse como uma pessoa indicada para assumir a liderança da área de serviços. Ela assumiu essa posição no final do ano passado em paralelo com as funções de TI, que exercia há três anos.

Na posição de gerente-geral da divisão de Global Services Business, a executiva controla uma equipe de 453 profissionais responsáveis por prestar serviços de recursos humanos, compras e finanças para todas as subsidiárias da região. Além disso, seu departamento fornece soluções de tesouraria para todas as operações da Alcoa ao redor do mundo. “Por incrível que pareça, o fato de ter atuado por muito tempo com TI me ajudou, já que conhecia os diversos processos de negócio da companhia”, explica a executiva. “Assim, por mais que eu nunca tenha trabalhado com as novas áreas que passei a coordenar, nada foi novidade para mim”, complementa Tânia.

Quanto às atribuições de CIO para América Latina, ela explica que só consegue dar conta de todas as atividades com o apoio de sua equipe. Para tanto, o dia-a-dia da TI virou responsabilidade da gerente de sistemas, Renata Maniero. “Graças ao trabalho dela, consigo me dedicar apenas às questões estratégicas”, detalha a executiva. Para a vice-presidente de pesquisas da consultoria Gartner, Ione Coco, contar com um segundo nível hierárquico altamente capacitado para gerenciar parte das funções que, até então, eram demandadas das lideranças de tecnologia, representa um caminho natural, principalmente, nas grandes corporações.

Na opinião da vice-presidente do Gartner, os CIOs vivem hoje um dilema: “eles precisam estar mais próximos da estratégia de negócios, mas, por outro lado, têm de lidar com soluções e serviços cada vez mais complexos”. Segundo ela, isso exige uma nova estrutura dos departamentos de TI. Outra barreira que a área também enfrenta diz respeito ao relacionamento com as demais áreas da organização. O The State of the CIO 2009, mostra que 72% dos entrevistados sofrem com o fato de seus departamentos serem enxergados como um centro de custos que precisa ser gerenciado. E, apesar disso, 91% dos executivos afirmam que sua área é considerada uma parceira de negócios pelo resto da companhia.

O diretor da consultoria TGT Consult, Pedro Bicudo, acredita que essa contradição em relação ao papel que a TI exerce nas organizações pode ser explicada pela falta de entendimento do trabalho da área. “As empresas não enxergam que quanto mais soluções tecnológicas são implementadas, maiores os custos de operação”, detalha Bicudo. Segundo ele, em média, 80% do orçamento da tecnologia é consumido com manutenção de hardware e de sistemas, mas os usuários não têm conhecimento disso. Pedro pontua ainda que, apesar do CIO conquistar um espaço cada vez maior nas organizações, a atuação dele vai sempre depender da estratégia corporativa. Ele aponta que de nada adianta o executivo se posicionar como alguém altamente inovador se a companhia espera que a TI funcione como um mero suporte às operações. Outro fator que contribui diretamente com as competências demandadas do gestor de tecnologia é a pessoa para quem ele reporta. O The State of the CIO mostra que, no Brasil, 30% dos entrevistados estão diretamente ligados ao presidente ou CEO.

Um estudo mundial do Gartner detecta que as empresas em que o líder de TI se reporta ao presidente tendem a usar melhor os orçamentos de tecnologia. Ou seja, essas organizações conseguem obter mais resultados efetivos para os negócios do que aquelas nas quais esse budget precisa ser aprovado por um CFO (principal executivo de finanças) ou COO (principal executivo de operações). O diretor corporativo de TI da Votorantim Industrial – que engloba as operações mundiais da companhia na área de cimento, metais, agronegócio, química, energia e papel e celulose –, Fabio Faria, confirma essa percepção. Ele conta que o fato de responder diretamente ao CEO e ter todo o apoio dele foi essencial para o sucesso de um projeto que mexeu com os processos das companhias do grupo.

Na prática, Faria liderou a implementação de uma plataforma única de gestão empresarial para todas as companhias ligadas à Votorantim Industrial, a qual atua em 17 países do mundo. Como a iniciativa mexia com modelos e sistemas que já estavam bastante consolidados nas diferentes empresas, uma das suas missões foi convencer as diversas unidades de negócio da importância de ter uma solução única. “Tive de fazer inúmeras reuniões com os presidentes e diretores das diferentes empresas”, conta Faria, que complementa: “Quando apresentava o business case, eles começavam a ver que a TI poderia gerar um diferencial competitivo de negócios e não era uma área simplesmente operacional.”

Além do sucesso do projeto, a partir do qual hoje a Votorantim consegue integrar qualquer nova empresa ao grupo em um prazo de quatro a seis meses, o diretor conta que hoje ele colhe os frutos do amadurecimento da sua área. Como conseqüência, Faria ressalta que hoje suas atribuições extrapolam as atividades esperadas de um líder tradicional de TI. Para estar em sintonia com os negócios, o executivo diz que precisa conhecer com profundidade os diversos mercados no qual a Votorantim atua, bem como entender o comportamento de clientes e concorrentes, com o intuito de antecipar tendências.

Foco em inovação

Os dados do The State of the CIO 2009 confirmam essa nova postura que é esperada do principal executivo de TI. No estudo, 44% dos entrevistados afirmam que, em suas empresas, a inovação representa um assunto amplamente discutido e que a área de tecnologia tem sido cobrada por liderar esse tema. Outro dado surpreendente do levantamento é o tempo que os CIOs dedicam a iniciativas inovadoras. A maior parcela dos profissionais que responderam ao estudo, 31%, diz que o tema consome de 5,1% a 10% das horas diárias de trabalho. O que, na opinião de Pedro Bicudo, da TGT Consult, remete a uma visão equivocada. “A inovação não pode ser uma ação isolada da área de TI. O sucesso dela depende do envolvimento de toda a organização”, considera o especialista.

Em linha com a visão de Bicudo, o vice-presidente executivo de TI do Banco Bradesco – uma das maiores instituições financeiras do País –, Laércio Albino Cezar, afirma que só montou uma área de inovação, há nove anos, para dar formato a iniciativas que há muito tempo faziam parte do dia a dia de toda a organização. “O pioneirismo sempre esteve integrado na cultura do Bradesco”, diz o executivo. “Prova disso é que, em 1945, apenas dois anos depois da nossa fundação, fomos o primeiro banco a aceitar o pagamento de contas de luz”, destaca o vice-presidente.

Para manter esse espírito de inovação, o executivo mantém uma equipe com 100 funcionários, ligados à estrutura de TI, que ficam exclusivamente dedicados a pesquisar, testar e criar produtos e serviços. Como forma de captar as demandas das diversas unidades de negócio do banco, esse grupo participa de comitês estratégicos da organização. Por outro lado, os ‘pardais’ – como Cezar carinhosamente chama os pesquisadores, em alusão ao personagem de histórias em quadrinhos professor Pardal – assumem a missão de garantir que o board do Bradesco esteja sempre atualizado com o que há de mais novo em termos de tecnologias.

Entre as mais recentes iniciativas comandadas pela área de inovação do banco está um extrato bancário em braile, um mecanismo para evitar clonagem dos caixas eletrônicos e um sistema de autenticação dos usuários por meio da identificação biométrica baseada na leitura dos vasos sanguíneos da mão. “Somos o primeiro banco do Ocidente a utilizar essa solução”, orgulha-se o vice-presidente, que atribui boa parte do sucesso da instituição a projetos pioneiros. “A TI é o combustível do banco”, acrescenta, ao justificar que, em 2009, a área teve um orçamento de 2,9 bilhões de reais – quase 900 milhões de reais acima do ano anterior.

Fonte: http://cio.uol.com.br

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Publicado por em agosto 27, 2010 em Notícias

 

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